Capacitação para agentes comunitários em saúde na
Promoção de Saúde Bucal: Um Desafio
Índice
1. Introdução
2. Objetivos
3. Material e Métodos
4. Dimensões
5. Resultados
6. Conclusões
7. Bibliografias
8. Fotos
Introdução
A atenção primária à saúde é definida como “o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, trazendo os cuidados de saúde tão próximos quanto possível dos locais onde as pessoas vivem, trabalham, e constitui o primeiro elemento de um processo contínuo de cuidados de saúde” (MAC DONALD ,1993). Em 1978, a Conferência Internacional de Alma-Ata compromete-se com a atenção primária à saúde, expressando a necessidade de se promover saúde para todos. A maioria dos países tem aderido a esta estratégia que traz em si princípios de regionalização, descentralização, integração dos serviços e participação comunitária (FRAZÃO, 1994 apud SANTOS, 1997).
No Brasil, o Sistema Único de Saúde vem tentando incorporar as idéias expressas pelo movimento de promoção de saúde, através do Programa de Saúde da Família (PSF), iniciado em 1994, o qual só teve a incorporação das equipes de saúde bucal em dezembro de 2000 (MS; Portaria 1.444 de 28/12/2000). O Ministério da Saúde, através da Secretaria de Políticas de Saúde, estabelece bases para a reorientação das ações de Saúde Bucal especificando atribuições para os profissionais de saúde bucal, incluindo os Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Na comunidade dos Terrenos Novos, bairro da periferia de Sobral/CE, foram implantadas, desde junho de 2001, duas equipes de saúde bucal ligadas a quatro equipes do PSF. A inserção das ESB surgiu como um desafio para ampliação do acesso às ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal na população. Neste sentido, os ACS podem atuar como atores sociais fundamentais para a promoção de saúde, seja ela bucal ou geral, haja vista o papel que representam para a comunidade e o grau de integração com a mesma.
Objetivos
Desvelar o saber e a prática dos ACS em relação à saúde bucal, na comunidade do bairro Terrenos Novos, em Sobral-CE, com o propósito de capacitar tais agentes para atuarem como multiplicadores de conhecimento e de saúde.

Material e Métodos
Previamente à realização da oficina de capacitação, foi realizado um estudo exploratório com entrevistas semi-estruturadas, utilizando a metodologia quanti-qualitativa, com o intuito de desvelar o saber dos agentes comunitários para possibilitar a realização de uma atividade educativa mais contextualizada e participativa.
Qualitativa não em dicotomia com a quantitativa, mas através de uma relação de inseparatibilidade e interdependência entre os aspectos quantificáveis e o dimensionamento dos significados, interagindo dinamicamente na busca da complementaridade para a construção da realidade (Minayo, 1996).
A amostra foi constituída por doze agentes comunitários de saúde, durante a dinâmica cotidiana da Unidade Básica de Saúde do bairro Terrenos Novos. As entrevistas, após o consentimento dos entrevistados, foram analisadas, sendo preservada a identidade de todos os informantes. A partir do levantamento do que a equipe de agentes conhecia, vivenciava e de suas dúvidas acerca da temática, foi realizada a oficina de capacitação para os Agentes comunitários de Saúde da comunidade do bairro dos Terrenos Novos.
Dimensões
Após a dinâmica do curso, pôde-se perceber que os ACS apoiaram a prática e, em sua maioria, se sentiram capazes e disponíveis a atuarem em prol da promoção de saúde bucal.
As Equipes de Saúde Bucal nos Programas de Saúde devem instituir a participação dos Agentes Comunitários para trabalharem a promoção de saúde bucal, dentro de suas visitas domiciliares, sendo necessário a constante reciclagem dos mesmos. A promoção de saúde bucal deve se constituir em uma atividade de rotina dos agentes, pois somente assim conseguiremos reverter as altas prevalências de afecções bucais de nossa população. É através da educação e prevenção, com a participação da comunidade mobilizada, que conseguiremos tornar a saúde bucal parte integrante e inseparável da saúde geral do indivíduo.
Resultados
A oficina teve uma carga horária de oito horas e nove participantes, abordando tópicos como a importância da saúde bucal, noções de anatomia e fisiologia dentária, cárie, “piorréia”, câncer bucal, higiene oral, utilização do flúor, saúde da gestante e do bebê e cuidados com as “chapas” - temas previamente tratados nas entrevistas semi-estruturadas. A dinâmica da oficina foi bastante participativa, sendo realizadas práticas de problematização com a construção de mapas-falantes, árvore dos problemas, evidenciação de placa, auto-exame da boca e escovação supervisionada. A necessidade da realização da oficina surgiu a partir da análise das entrevistas em que se percebeu que apenas 5 agentes de saúde já haviam realizado atividades relacionadas sobre saúde bucal.Tais assertivas podem ser expressas através das seguintes falas:
“Quando faço a visita, pergunto como a criança escova, ensino a mãe a forma de trenzinho, como se deve escovar, não é toda casa que faço, só quando há necessidade do sorriso da pessoa e da higiene da casa e limpeza da mãe”. (José, 21)
“Raramente faço orientação. Peço para escovar após refeições”. (Raimunda, 22)
Através das entrevistas semi-estruturadas, pôde-se elaborar um manual contextualizado com as falas dos Agentes Comunitários, os quais foram distribuídos durante a oficina para servir de material didático após o curso, possibilitando que a atividade educativa fosse continuada nas casas.
Conclusões
• De modo geral, o processo de capacitação das equipes de saúde através de oficinas mostrou-se adequado ao grupo alvo, entretanto vários desafios à implantação da atenção primária de promoção de saúde bucal através da participação dos Agentes Comunitários de Saúde no PSF-Terrenos Novos, podem ser antecipados, entre eles:
• De quatorze ACS caastrados no Programa de Saúde da Família da comunidade dos Terrenos Novos, doze responderam às entrevistas e apenas nove participaram da oficina.
• Necessidade de acompanhamento e avaliação das atividades de promoção de saúde bucal desenvolvidas pelos ACS.
• Realizar cadastramento das famílias com relação às condições de saúde bucal.
• Estimular o engajamento dos ACS para trabalharem as questões de Saúde Bucal durante as visitas domiciliares.
• Necessidade de uma educação continuada de tais agentes, reivindicação realizada pelos próprios agentes, após a realização da oficina, sendo necessário uma carga horária maior para a explanação de tantos conteúdos.
• Garantir uma maior integração das equipes de saúde bucal com as equipes de saúde da família.
• Necessidade de material didático de apoio em saúde bucal direcionado aos agentes comunitários.
Bibliografias
BOTELHO, A. et al. Oficinas de Capacitação como estratégia para implantação da atenção primária à saúde bucal no programa saúde em casa do município do Cabo de Santo Agostinho-PE. Ação Coletiva, II (2): 15-18, 1999.
BRASIL, Ministério da Saúde. Programa de Saúde da Família. Brasília, 1994.
BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Brasília, 2001.
CARMO, E.M. Saúde e criatividade: O mapa falante na saúde bucal coletiva. Ação coletiva, II (4): 17-9, 1999.
MAC DONALD, J .Primary health care - medicine in its place. London, Earthscan, 1993.
MINAYO, M.C. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 4 ed. São Paulo, Hucitec, 1996.
OMS/UNICEF. Declaração de Alma-Ata. Organização Mundial de Saúde, 1978.
PRETTO, S.M et al. Visitas Domiciliares como estratégia de educação em saúde - Relato de uma experiência.Ação coletiva, II ( 3 ): 33-6, 1999.
SANTOS, M.S et al. Saúde Bucal: uma proposta para formação de Agentes multiplicadores_ Uma experiência junto à Cidade-Satélite do Paranoá - DF, 1994. Revista de Saúde do Distrito Federal, 8 ( 1): 10-6, 1997.
UNFER, B & SALIBA, O. Avaliação do conhecimento popular e práticas cotidianas em saúde bucal. Rev. Saúde Pública, São Paulo, 34 (2): 190-5, 2000.
Fotos
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